domingo, 1 de maio de 2011

MIradouro da TERRA ALTA

Mais um apontamento sobre o Miradouro da Terra Alta. Não para revelar nada de novo. Mas sim assinalar o tempo dos acabamentos finais. Possivelmente, quando este apontamento aparecer, já terá sido inaugurado, ou quase. Assim parece.
        Já há dias que por lá não passava. Aconteceu nos finais do mês de Abril. É lugar de afeição, pois por lá muito andei, nos tempos em que Nosso Senhor andava pelo mundo, para usar a expressão comum dos tempos difíceis do passado longínquo, rumo aos matos do Portal da Serra ou do Cabeço das Cabras, bem como à freguesia vizinha de Santo Amaro.
Fiquei agradado com todo o conjunto que envolve o núcleo principal do Miradouro. As ligações com os caminhos antigos para poente e para nascente foram a melhor solução.
Com o Miradouro da Terra Alta, faria a seguinte acomodação: como em imponente Catedral, altivo e altaneiro lá ficou o púlpito sobre o oceano e São Jorge, as falésias e ravinas sobre o mar do Baixio, elementos atentos aos olhares extasiados dos humanos, declamando poemas de amor e admiração. Ó belo oceano, que a todos nos beijas e abraças….desfaz as brumas que ofuscam….deixa ver o horizonte dos sonhos que trago comigo.
Depois deste “arrojo poético”, cujo autor desconheço, não deixo de lembrar a estória contada por antigos: o “Ti José da Pedreira”, já velhinho, ali foi um certo dia. Quando avistou São Roque e o Cais do Pico ao longe, exclamou: “sempre muito grande é o mundo”!
A escadaria fica para a história do Miradouro, o seu primeiro e principal acesso. E quanto ao púlpito sobre o grande precipício, parece-nos ter havido pouca ousadia. Um pouco mais de largura no extremo poderia ter acontecido. As consolidações parecem-nos correctas e teriam suportado mais espaço.
        Todavia, entre o óptimo e o bom – o diabo que escolha, costuma dizer-se – há que fazer uma. E qualquer que fosse ela seria legítima.
        Os reparos maiores que fazemos apontam para os espaços de estacionamento. Parecem-nos exíguos, pois não serão apenas os veículos ligeiros que por ali vão estacionar, mas também os colectivos. E assim sendo, outras larguras e comprimentos poderiam ter sido projectadas.
        No conjunto de toda a obra, acho que vale a pena a visita. Uma visita com dois objectivos: observar a paisagem que é deslumbrante, e toda a obra que envolve o Miradouro. Para além da paisagem em si – que é o principal – há que apreciar todo o seu enquadramento, com as duas entradas, uma pelo poente e outra pelo nascente. É uma obra que dignifica a autoridade regional. E que vem melhorar aquele local que a natureza nos deixou.
        (E, para as autoridades regionais e outros interessados, nas coisas que a natureza oferece, faço o seguinte convite: desçam o Ramal da Terra Alta da Ribeirinha, e, mais ou menos a meio, virem à esquerda, (com sinal de trilho já assinalado), caminhem cerca de um quilómetro, para verem um outro Miradouro, não menos espectacular – o Miradouro do Alto dos Cedros. Um segredo que, felizmente, já anda a ser descoberto).
Como epílogo final, acrescentaria: Terra Alta e Alto dos Cedros são dois miradouros de grande beleza, duas catedrais que importa valorizar. O primeiro acabado de vestir as vestes ornamentais de bem receber; o segundo ainda de vestes gentílicas, como a natureza fez. Dois irmãos, muito próximos, que não se vêem um ao outro. Cada qual espera uma visita.
Manuel Emílio Porto (altodoscedros.blogspot.com)