domingo, 16 de outubro de 2011

FILARMÓNICA LIBERDADE LAJENSE

Acabam de ser inaugurados os novos melhoramentos da Filarmónica Liberdade Lajense.
        Apesar de ter sido convidado para a mesma inauguração, faltou pouco para não estar presente. E tudo pela simples razão da memória não ter funcionado.
        Quando me perguntaram, nas redondezas da Escola das Lajes, se não estava na Filarmónica, nada respondi, estupefacto. De imediato recordei o convite, e também de imediato – já estava na hora – fui até à Filarmónica.
        Pois, sim senhores, ouvi as palavras simpáticas do actual Presidente - o jovem músico António Francisco bem como as palavras do senhor vereador Mário Tomé, em nome do senhor Presidente da Câmara, ausente por motivos de força maior.
        Percorri as instalações agora inauguradas e fiquei com a melhor das impressões. A Filarmónica das Lajes possui, nesta data, ambiente condigno, para as actividades musicais, culturais e recreativas que venham a ser programadas para as Lajes do Pico, bem como para os convívios anuais das festas mais representativas, como sejam as festas do Espírito Santo, do Natal, do Carnaval, e outras.
        À semelhança de outras sociedades filarmónicas da Ilha, a FLL tem condições para responder às mais variadas iniciativas culturais que venham a desenhar-se para aqueles espaços agora inaugurados.
        Parabéns aos lajenses, à direcção, aos músicos e ao industrial que se encarregou das obras.
        Convém não esquecer – é sempre bom recordar – o apoio sempre imprescindível de toda a comunidade lajense. Uma Filarmónica vive dos músicos. Mas os músicos não vivem sem terem o apoio de quantos fazem parte da comunidade. Um músico isolado é uma voz no deserto.
        A sociedade é de toda a comunidade. E é, nesta data festiva, a preocupação principal a ter em conta.
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                ascrito na ortografia antiga

sábado, 15 de outubro de 2011

A ESCOLA DAS LAJES DO PICO

Já deixámos a Escola. Ainda não há muitos anos. Quando a deixámos, em jeito de brincadeira, costumava dizer assim: “Já não posso aturar rapazes”. “Já não tenho idade para isto”. Porque andei quase sempre envolvido na Educação Musical, também costumava dizer: “Já cantei de mais”. Agora preciso de silêncio e passar o tempo a ouvir o pouco que ainda consigo ouvir.
        Deixámos, é verdade. Mas, ainda há qualquer coisa que trago registado. Comigo levo alguma amargura. Não por falta de apoios escolares. Sempre os tivemos, e sempre soubemos ultrapassar as lacunas.
Mas porque nunca usufruímos de um bem físico que as outras escolas sempre tiveram desde o seu começo. Refiro-me, naturalmente, a um auditório, um espaço adequado e preparado para eventos culturais e pedagógicos para uma boa parte das disciplinas escolares, mormente línguas e música, além das reuniões escolares.
        E as causas nasceram logo no início, com a construção da própria escola. Divergências internas, afeições desmedidas, por vezes fanáticas, impediram melhor localização da Escola.
        Hoje, a Escola continua sem Auditório, sem pátios, sem Ginásio, sem campo de jogos e outros espaços interiores.
        Continua a Vila das Lajes sem uma Escola devidamente localizada e apetrechada. Convém, agora que se fala em adiamentos que não estavam previstos, pensar de uma vez por todas, que uma escola se faz por causa dos alunos e não por uma outra qualquer razão.
        E porque se faz de raiz, que se faça em espaços amplos, capazes de darem resposta às valências da Escola. Que o adiamento agora surgido, seja apenas um adiamento, e nada mais.
escrito na ortografia antiga
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

COMENTÁRIO...

O nosso D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, também faz, como lhe compete, os seus comentários, merecedores, como também é óbvio, de outros comentários. O senhor cardeal fez o seguinte comentário:
Nenhum político deixa a política de mãos limpas”. Este comentário revela que todos os políticos são maus políticos. Ora, não será bem assim. O senhor Cardeal sabe, melhor do que ninguém, que o político se ocupa das coisas do bem público. Se algum político não faz como devia, é outra questão. Há políticos que saem de mãos limpas.
O mesmo se poderia dizer dos padres que ele fez e nomeou: “Todos eles tem as mão limpas nos compromissos que assumiram? Quantos também andam de mãos sujas?
Responder desta forma não é anti-clericalismo. É a verdade que a tradição demonstra. E cada vez mais o vem demonstrando.
Há bons e maus políticos e há bons e maus padres.
Para ambos há éticas comuns e específicas. Os fracassos e as virtudes são comuns aos dois.
O senhor Cardeal Patriarca sabe muito bem, e melhor do que ninguém, que estas coisas são assim.
Deve ser da velhice…

terça-feira, 11 de outubro de 2011

FOI A 11 DE OUTUBRO DE 1962

Estamos a celebrar os cinquenta anos do Concílio Vaticano II. Um Concílio que apontou reformas que vingaram e que foram recebidas, de braços abertos, por responsáveis – e foram muitos – e pelos povos que as acolheram e fizeram delas práticas dos caminhos de Deus.
 Nesta ilha e em muitas outras, os responsáveis da diocese – o penúltimo, felizmente, ainda vivo – reorganizaram e puseram em marcha reformas da piedade popular. Seguiram a orientação conciliar. Fizeram trabalhos, aprovados e louvados por muitos outros responsáveis do país inteiro, que passaram por esta e outras ilhas. Com plena aceitação dos devotos e crentes.
Passados que são cinquenta anos, chegou a altura de consolidar e fazer crescer. De consolidar, indo ao encontro dos povos, que sempre tiveram disponíveis para ajudar, com verdade e transparência.
 Será a melhor forma de celebrar este aniversário conciliar. Com ajustamentos que são sempre possíveis, mas sem acusações a ninguém, muito menos acusações toscas, que, geralmente, são de nula eficácia. Em vez de ajuntar, afastam.
 O uso do vernáculo foi a maior conquista. Todos entendem a língua mãe. Isso arrastou consigo maior exigência – transparência nas linguagens e nos sinais. As imagens e as metáforas ficaram mais acessíveis aos espíritos menos preparados. Foi o caminho aberto para uma consciência formada, na busca de práticas transparentes e não aparentes.
As metáforas dificilmente se justificam quando agressivas e selvagens. A não ser que as intenções sejam mesmo, como está acontecendo em muitos sectores, destruir o que de bom trouxe aquele Concílio Ecuménico. Uma forma de o fazer é acusar os que trabalharam para o pôr em prática. Não creio que por aqui já se tenha chegado a esse ponto. Mas, quando se recorre à metáfora do abutre para denegrir tudo e todos, algo de preocupante anda por perto.
O quadro alegórico do sábado de Lurdes, com a figura de D. José Alvernaz, veio recordar as esperanças do tempo conciliar. Talvez a melhor imagem alguma vez trazida ao cortejo etnográfico da festa. Por isso, aqui o invoco, como pretexto para dar uma palavra de esperança, e repudiar a agressividade de quem não sabe ou não entende.
A alegoria do Professor Hélder Fernandes não poderia ter sido mais oportuna e feliz. Oportuna pelo cinquentenário que se celebra, pela colaboração que este “homem do Pico” (juntamente com D. José da Costa Nunes, para só me referir à ilha do Pico), deu àquele grande evento, e consequentemente a lembrança do ar fresco que entrou nos espíritos em todo o mundo cristão.
Foram muitos os que desde o princípio tudo fizeram por ir ao encontro das reformas, de as pôr em prática, de aperfeiçoar, melhorar as maneiras de ver e compreender os caminhos da fé. Caminhos de luz e claridade. Sobretudo da possibilidade de mais participação. Eles não andaram enganados. Antes, pelo contrário.
 Talvez fosse melhor empreender o que de muito ainda há por fazer. Parabéns ao Professor Hélder Fernandes pela alegoria que nos trouxe nos últimos dias de festa.
Nunca perturbámos nem perturbaremos a dinâmica do crescimento. Somente avaliaremos as afirmações toscas e desajustadas que por vezes temos a infelicidade de ler.
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escrito na ortografia antiga

       

domingo, 9 de outubro de 2011

Auditório para o Museu dos Baleeiros

Na visita estatutária que o Governo Regional fez à Ilha, nos primeiros dias de Outubro, o presidente do Governo anunciou a construção de um Auditório, integrado nas actuais instalações, em terrenos contíguos, adquiridos para esse efeito.
        Assim aconteceu na pequena sala do Museu, no dia 4. A comitiva governamental e alguns convidados seguiram atentamente a apresentação do projecto pelo seu autor, arquitecto Rui Pinto.
O novo Auditório tem capacidade para cerca de 98 lugares sentados. Tem um aspecto acolhedor, de sabor marinheiro, bastante ajustado à história daquela instituição cultural, e com as condições necessárias para espectáculos musicais, incluindo gravações.
        Fica assim satisfeita a lacuna existente – de um espaço mais alargado, para dar resposta aos eventos culturais que o Museu promove ao longo do ano.
        Na verdade, o pequeno salão do Museu tem sido escolhido para numerosos eventos culturais. Por lá tem passado os mais variados, desde o lançamento de livros, palestras, exposições permanentes e temporárias. É ocasião para relevar o seu grande contributo ao meio lajense e de toda a ilha.
        Todavia, notoriamente se sentia a exiguidade do pequeno salão. Por isso, a construção do Auditório que agora se anuncia, vem melhorar e valorizar bastante os espaços do Museu. Uma nova obra que o seu director, dedicado e competente, acompanhará, com o zelo e o carinho que sempre tem dedicado àquela entidade museológica.
Alguns dirão: a Vila das Lajes tem espaços condignos para a cultura. É verdade, tem. Todavia, é o Museu que melhor vocação apresenta para alguma actividade cultural mais específica. Dentro daquela casa tudo fala da alma e da vida do passado, com projecção no presente e no futuro. Tudo é apelativo. São as nossas raízes. É o nosso centro cultural, por excelência.
 Mais uma razão para agora ser dotado de mais um espaço. Assim, a pouco e pouco, se constrói, se melhora e se acarinha o que é nosso.
 escrito na ortografia antiga
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Filarmónica de Berlim põe música na Teologia de Hans Kung

Uma obra para coro e orquestra.

“A Filarmónica de Berlim põe música na teologia do sacerdote católico e professor universitário Hans Kung, sancionado pelo Vaticano.
Segundo informou a Fundação Ética Mundial, presidida pelo teólogo suíço de 83 anos, na obra para coro e orquestra de uma hora e meia de duração, o compositor brtitânico Jonathan Harvey deu à partitura os pensamentos de Kung sobre as religiões mundiais. O mesmo Kung é o autor do libreto.
A obra consta de 6 capítulos, cada um correspondente a um princípio da Declaração de Ética Mundial de 1993, da qual Kung foi redactor. Nesta Declaração ressalvam-se os valores comuns das grandes religiões que poderiam servir de base para um mundo mais justo e sem violência.
Kung não deu detalhes sobre a música, mas assegurou que a composição contempla nos seus 6 capítulos as tradições musicais do budismo, hinduísmo religiões chinesas, judaísmo, islão e cristianismo.
A estreia acontecerá a 13 de Outubro sob a batuta de Simon Rattle e nela participarão também o coro da Rádio-Televisão de Berlim, assim como um coro juvenil.
Kung foi perito do Concílio Vaticano II e colega em tempos universitários de teólogos de renome mundial da sua época como Karl Rahner, Yves Congar, Henri de Lubac, Hans Urs von Balthasar e Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI.
Em 1979 o Vaticano retirou-lhe a faculdade de ensinar por causa do seu livro “Infalível”, onde critica o dogma da infalibilidade papal.
No entanto Kung continuou a ensinar Teologia Ecuménica na universidade alemã de Tubingen”. (in Religion Digital – 3.10.2011).
Comentário – É uma notícia positiva. Vem realçar o pensamento humano sobre ética religiosa, contributo importante para uma formação mais ampla e consistente da fé dos homens de hoje.
Fica-nos a curiosidade de ouvir, um dia, essa obra musical.

domingo, 2 de outubro de 2011

Vale a pena ler

O texto seguinte é de um pensador e teólogo brasileiro, chamado Leonardo Boff. Cada leitor tirará a sua conclusão.
“Actualmente há muita decepção com a Igreja Católica institucional. Está a dar-se uma dupla emigração: uma exterior, pessoas que abandonam simplesmente a Igreja, e outra interior, as que permanecem nela mas não a sentem já como um lugar espiritual. Continuam a acreditar apesar da Igreja.
Não é para menos. O Papa actual tem tomado algumas medidas radicais que tem dividido o corpo eclesial. Assumiu um caminho de confrontação com importantes episcopados, o alemão, e o francês, ao introduzir a missa em latim; articulou uma reconciliação rebuscada com a Igreja dos seguidores de Lebfebre; viciou as principais intuições renovadoras do Concílio Vaticano II, especialmente o ecumenismo, negando absurdamente o título de “Igrejas” às igrejas que não sejam a Católica e a Ortodoxa; como cardeal, foi gravemente permissivo com os pedófilos; a sua relação com a sida roça os limites do inumano.
A Igreja actual mergulhou num inverno rigoroso. A base social de apoio ao modelo antiquado do actual papa é formada por grupos conservadores, mais interessados nas realizações mediáticas, na lógica do mercado, que em propor uma mensagem adequada aos graves problemas actuais. Oferecem um “cristianismo-lexotan” apto para acalmar consciências angustiadas, mas alienado perante a humanidade sofredora.
É urgente animar estes cristãos em vias de emigração com o essencial no cristianismo. Não é seguramente o da Igreja, que não foi objecto da pregação de Jesus. Ele anunciou um sonho, o reino de Deus, em contraposição ao reino de César; Reino de Deus que representa uma revolução absoluta das relações, desde as individuais até às divinas e cósmicas.
                        (…)
O movimento de Jesus é certamente a força mais vigorosa do cristianismo, mais do que as Igrejas, por não estar enquadrado em instituições nem aprisionado em doutrinas e dogmas. É composto por todo o tipo de gente, das mais variadas culturas e tradições, até por agnósticos e ateus que se deixam tocar pela figura valente de Jesus, pelo sonho que anunciou, um reino de amor e liberdade, por uma ética de amor incondicional, especialmente aos pobres e aos oprimidos, e pela forma como assumiu o drama humano, no meio de humilhações, torturas, e execução na cruz. Apresentou uma imagem de Deus tão íntima e amiga da vida que é difícil prescindir dela até por quem não acredita em Deus. Muita gente diz: “se existe Deus, tem de ser como o Deus de Jesus”.
Este cristianismo como caminho espiritual é o que realmente conta. Um movimento que passou rapidamente a ser uma instituição religiosa. No seu seio elaboram-se as distintas interpretações da figura de Jesus que se transformaram em doutrinas e foram recolhidas pelos evangelhos oficiais. As igrejas, ao assumirem carácter institucional, estabeleceram critérios de pertença e de exclusão, doutrinas com referência identitária e ritos de celebração próprios. O óptimo é que caminhem juntos. O decisivo é, em todo o caso, o caminho espiritual. Este tem futuro e anima o sentido da vida.
O problema da Igreja romano católica é a sua pretensão de ser a única verdadeira. O correcto é que todas se reconheçam mutuamente, pois todas elas revelam dimensões diferentes e complementares da mensagem do nazareno. O importante é que o cristianismo mantenha o seu carácter de caminho espiritual. Ele pode sustentar tantos cristãos e cristãs perante a mediocridade e irrelevância em que caiu a Igreja actual”. L. Boff

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

AUTARQUIAS, AS NOSSAS CASAS COMUNS...

Porque estão próximas, porque estão vocacionadas para os complementos indispensáveis. São elas que acodem.
        Num dos nossos últimos apontamentos, alertava para a necessidade de cada vez mais serem consolidadas. Quanto aos serviços que prestam às populações e quanto à necessidade das mesmas continuarem com vida, bem perto de nós.
        No dia 26 de Setembro ouvimos o primeiro-ministro, anunciar uma reforma que pode levar à extinção de freguesias ou de autarquias. Em nome de maiores poupanças e em nome de maiores eficácias.
        Naturalmente que a partir de agora por todo o país muitas vozes se vão levantar. Uns vão apoiar, outros nem tanto, outros vão ter que se conformar.
        As análises decorrerão nos partidos políticos, nas associações de desenvolvimento económico e cultural. Os jornais darão conta do que acontecerá, ou irá acontecer. Também os particulares dirão do que pensam. Estaremos atentos ao que nos vai dizer o governo regional e a oposição regional.
        Somos do grupo dos particulares, e sem pretensões. Mas de amor ao que é nosso, que importa defender, nunca abolir ou extinguir. E somos por melhores eficácias e por menor despesismo.
        O espírito associativo poderá ser uma boa experiência. Mas vamos esperar para ver e depois comentar. Estamos no Pico, e é no Pico e nos Açores que temos a nossa expectativa.
        Vivemos uma autonomia conquistada, e por isso pensamos que os ajustamentos que se tenham de fazer, passam necessariamente pelo Governo Regional e pela Oposição Regional. Não acreditamos que seja a República a mexer e a impor o que quer que seja na orgânica das nossas administrações.
        A ir por diante o que foi anunciado, a orgânica do Governo também está ameaçada. Por isso, terá que ser reajustada. As poupanças começam por aí, e só depois se estendem às autarquias.
        Aguardamos.
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escrito na ortografia antiga.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BENTO XVI na Alemanha

“Na Alemanha, a Igreja está optimamente organizada. Mas, por detrás das estruturas, por ventura existe também a correlativa força espiritual, a força da fé de um Deus vivo? Sinceramente devemos afirmar que se verifica um excedente das estruturas em relação ao Espírito. Digo mais: a verdadeira crise da Igreja no mundo ocidental é uma crise de fé. Se não chegarmos a uma verdadeira renovação da fé, qualquer reforma estrutural permanecerá ineficaz”. São palavras do Papa. O sublinhado é nosso.

Aqui ousamos tombar o nosso isolado comentário:
Uma visão global dos fenómenos religiosos, quanto à prática cristã dos crentes e seguidores da Igreja Romana, na Europa e também em Portugal e suas ilhas, leva a esta conclusão – falta de fé, ou talvez uma prática de fé titubeante.
 Todavia, temos de procurar ir ao encontro de mais alguma coisa, sobretudo quando se volta a falar e a insistir de que a Igreja é a hierarquia e o resto é o rebanho das ovelhas. Parece que se quer andar para antes do Vaticano II, onde directamente se afirmava: a Igreja é o clero, o resto é o rebanho.
Este movimento retrógrado tem levado muita gente à desilusão e ao afastamento. O resultado é uma espécie de divórcio, ou como alguns dizem, de cisma silencioso. Seria bom não confundir afastamento com falta de fé. A fé, se estava, continua a lá estar. Os afastados continuam a ter fé.
Quando o Papa diz que a crise da Igreja é uma crise de fé, ficamos sem saber a que Igreja se refere. Se à Igreja – Povo de Deus, pós conciliar –, se à Igreja Hierárquica, de sabor pré conciliar.
Na Igreja – Povo de Deus, pós conciliar – há falta de fé, mas há abertura e receptividade, sempre houve e continua a haver. Seria temerário atribuir a falta de fé ao Povo simples que vive o seu dia a dia e que gosta de mais fazer. Convém saber um pouco das suas razões. Resumidas, são elas:
- Falta de fé de quem preside ou dirige; se os detentores do poder mostram aparências de puro laicismo, como se pode acreditar neles, no que dizem e no que fazem?
- Falta de cuidados nas celebrações; se as palavras são prefabricadas, lidas sem convicção, porque não foram estudadas, as músicas apimbalhadas, como se pode ter fé numa aparência que não engana?
Estas razões acabam por ser as causas, todas provenientes da Igreja Hierárquica, e de espírito pré-conciliar, que julga ter todo o poder no céu e na terra.
Aqui, apesar de todos os pergaminhos, realça mais o aparato do que a verdade. Já nos alertava para este fenómeno o saudoso Padre Dr. Manuel António Pimentel quando desabafava: ”boas pessoas, sim, mas não tem fé”; “boa pessoa mas não tem carisma”.
A crise da Igreja é uma crise de fé. Uma afirmação verdadeira, sim, não por ter sido dita pelo Papa, mas por ser evidente.
Sabemos que é dentro da Igreja Hierárquica que os entraves mais se acumulam. Nos seus meandros proliferam as verdadeiras causas que ela mesmo criou, imprimiu e acumulou durante séculos, em nome do poder que a sustenta. Uma teia de que tudo está interligado e definido. Um inferno que nada poderá contra ela, pois ela mesmo o criou.
Mas os tempos não perdoam, e hoje já não há pátios dos gentios que resistam. Todos falam da secularização, como se ela fosse um grande mal. Mas não é, e já se começa a aceitar como dado adquirido. Todavia, não é o bastante. Falta dar passos em frente.
Se o caminho a seguir tiver que ser o da secularização, como tudo parece indicar, então que se acabem com todos os equívocos. Que se acabem de vez com todas as leis impeditivas do desenvolvimento interior da natureza humana. (Não se compreende que as altas esferas do Vaticano não tenham ainda assinado a Carta dos Direitos do Homem).
A fé já começa a revelar-se como o cumprimento de um rito. Os homens e as mulheres serão sempre livres de o fazer. Para assumir compromissos entre si ou não. Em toda a parte. Na sociedade, na família, no emprego. Para tudo bastará uma só pedra – Jesus Cristo.
Felizmente que, neste ponto de vista, há fé abundante. Por toda a parte. Até nos que se dizem ateus. É verdade que pode não ser fé adulta, consciente, segundo os cânones dos espertos em teologia, mas fé suficiente para acreditar em Deus na figura de Jesus Cristo. E isso basta para se ser cristão. É bom lembrar que a fé não se mede aos palmos nem ao metro. A medida está dentro de cada um.
Há muito melhoramento por fazer por dentro da casa mãe. Os “pátios dos gentios” vão estar virados para esse lado? Não creio. Há muitas barreiras a quebrar. Entretanto a crise de fé continuará a aumentar, apesar das boas estruturas materiais que hoje existem por todo o lado.
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sábado, 17 de setembro de 2011

ALAMANAQUE DO PICO... barómetro do Triângulo

                Novamente recebi em casa o livrinho do senhor Manuel do Rosário, que, por suas mãos, ou por um portador, deixou na caixa do correio. Por isso, o meu muito obrigado.
        Costuma dizer-se que os almanaques servem para dispor bem. Por entre verdades consagradas, sempre se dizem meias verdades, algumas anedotas e fazem-se previsões que geralmente, ou nunca acertam ou então ficam-se pela metade. Por vezes também se dizem novidades e se dá lugar à criatividade.
O adágio de “ser de almanaque” está aqui neste livrinho muito bem expresso. Basta estar atento. Espero que esta crónica também assim seja entendida pelo autor e leitores de: “crónica de almanaque”.
        Começando pelo princípio, ficamos a saber que o ano 2012 vai ser bissexto e que começa ao Domingo, e que por isso vai ser um ano de “alguma animação”. Fiquei satisfeito por esta primeira previsão. Andamos todos com necessidade de mais ânimo e melhor ânimo.
        Os domingos começam por ser do Tempo Comum, depois são da Quaresma, Depois da Páscoa e Depois do Espírito Santo. No Advento além de 4 domingos há mais o 5º domingo, que não sei se já tem o nihil obstat de Bento XVI. Mas também não importa, pois há muita coisa que se faz e pratica sem ter a aprovação papal, e ninguém vai para o inferno por causa disso. Cuidado, todavia, por cuasa da censura do "santo ofíco" que, por vezes, aparece bem disfarçado nas costas do norte da ilha! E também pelo sul lançando impropérios contra o vento!
        A “6 de Agosto comemora-se os 150 anos da devoção ao Bom Jesus de São Mateus do Pico, e 50 anos do Cardinalato de D. José da Costa Nunes”. Aqui, a previsão é minha: os santos padroeiros da ilha, quais romeiros de longe vão ir à Procissão do Bom Jesus. É uma previsão “de almanaque”, feita, neste caso, pelo cronista.
        Quanto aos santos padroeiros, pouco se indica. Sendo um guia para usos e costumes das ilhas do triângulo, falta mais qualquer coisa. Um exemplo, logo em Janeiro: 15 de Janeiro, Santo Amaro – festa do Padroeiro na freguesia de Santo Amaro; 17 de Janeiro – Santo Antão – festa do Padroeiro na Ribeirinha; 20 de Janeiro – São Sebastião – festa do Padroeiro na Calheta do Nesquim. E assim sucessivamente à volta das ilhas do triângulo.
        No campo das adivinhas transcrevo a primeira: “qual é a diferença entre o vinho verdelho do Pico e o 25 de Abril?” Confesso que não adivinhei e fui ver: “o verdelho quanto mais velho melhor, o 25 de Abril quanto mais velho pior”. Nem toda a gente vai gostar que se diga, mas… os que gostam do verdelho vão dizer que sim, os amantes da política vão dizer que não. A verdade é que as datas acabam por serem esquecidas, o vinho renasce todos os anos. “Longe da vista, longe do coração”.
        Nos provérbios escolho o seguinte: “Julho por excelência é o melhor porto dos Açores”. Confesso que andei com a cabeça à roda e não consegui entender. Mas é assim mesmo: ou é de almanaque ou já começo a ficar velho, o que é capaz de ser o mais certo.
        Quanto a datas históricas, confesso que não estou a ver o Convento de Mafra ligado ao século XIII. Estou em crer que lhe falta ali o algarismo romano V, cinco. Será também de almanaque? Neste caso, não creio, pode ser até uma errata, o que também se admite, e até fica bem, numa publicação deste género.
        Para finalizar, a melhor verdade deste almanaque está em uma quadra de Luís G. Rosa que diz assim:
       
“Se produzir e poupar
        Faz bom governo no mundo;
        Não produzir e estragar
        Leva os países ao fundo”.
        É caso para dizer: se os nossos homens das finanças publicas assim pensassem…Mas a verdade é que não ligam ao Almanaque, não o lêem. Se o lessem sabiam como fazer! E voltando atrás em relação às previsões, mais uma que paira já no ar: o Papa, à semelhança dos tempos medievais que aprovava a criação de nações, vila e aldeias, prepara-se para extinguir algumas autarquias! As bulas já estão anunciadas. Pelo menos em rascunho.
E pronto. Foi a minha leitura parcial. O resto é para se ir lendo ao longo do ano, ver as luas, as sementeiras, as festas móveis e outras curiosidades da tradição. O tempo, esse, quase nunca bate certo. Anda todo descontrolado, mas as imagens do Pico que são prenúncio de bom ou mau tempo, aqui se encontram. Foi a Montanha o nosso primeiro barómetro, e ela é vista pelas três ilhas. É uma questão de fé.
        Como sempre ouvimos dizer: “a fé é que nos salva”. Obrigado ao senhor Manuel do Rosário, desejando boas vendas. Comprando o Almanaque do Pico, estamos a consumir o que é feito nos Açores. Uma boa norma, em falta, no Juízo do Ano. E uma forma da "coisa se ir tornando menos preta".
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SINCERAMENTE, OBRIGADO...

Acabo de receber o livro “José Vieira Alvernaz, Patriarca das Índias, Arcebispo de Goa e Damão”, escrito por Maria Guiomar Lima, que teve a gentileza de mo enviar, de Lisboa, onde reside.
        Maria Guiomar Lima, ainda criança, residente com seus pais na Ribeirinha, foi, na década de 1950, juntamente com eles, para Angra. Nesta cidade fizeram a sua vida e ela fez os seus estudos.
Não recordo essa partida, nem recordo algum momento ocorrido em Angra. E durante estes anos todos não tive mais notícias da sua família.
        Todavia, há poucos meses tive a notícia de que Maria Guiomar Lima havia feito a biografia de D. José. De imediato, logo me despertou a curiosidade de fazer a sua leitura, já que de alguns episódios da vida de D. José, fui testemunha.
Também terá sido por sua influência que fui parar a Angra do Heroísmo. Sempre, durante a sua vida, trocámos correspondência e por muitas horas conversámos. Em Angra, poucas vezes; muitas, na Baixa, no balcão da sua adega.
 Por isso deixo aqui as minhas congratulações de apreço e simpatia para com a autora desta meritória obra, de tão ilustre figura que foi o último Patriarca das Índias, nosso conterrâneo.
Já li o livro quase todo, e sobretudo as viagens, as consultas e as diligências que Maria Guiomar fez para trazer à “tona da água” a vida de D. José Alvernaz. Não vou aqui relatá-las todas, apenas algumas. Ou melhor, tocar num ou noutro porto da viagem que teve de fazer até às costas do Malabar para colher a informação possível, nos arquivos e nas pessoas ainda vivas, que conheceram D. José.
Os caminhos, agora não marítimos, para a Índia, foram menos perigosos, sem adamastores, nem tormentas, mas minuciosos e pacientes. Também difíceis e complicados.
A Maria Guiomar Lima teve a felicidade do estudo acompanhado e personalizado de D. José, depois do seu regresso definitivo a Angra. Ia com frequência às aulas gratuitas que o Patriarca concedia a quem o procurava. Foram as primeiras fontes de informação.
Vieram depois outras. A Sociedade de Geografia de Lisboa, a Biblioteca Nacional, os jornais A União, O Dever, Correio dos Açores, A Voz de São Francisco Xavier, O Heraldo, A Índia Portuguesa e A Voz de Macau, além de outros, foram passos obrigatórios, portos dos primeiros abastecimentos para tão longa viagem.
O trabalho foi orientado pelo Professor Doutor Artur Teodoro de Matos que aconselhou Maria Guiomar a “procurar as pessoas que conheceram o último Patriarca das Índias”. E ela foi.
 Começou pelo Arquivo Histórico Ultramarino, depois o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Foi a Roma ver o que podia encontrar no Pontifício Colégio Português onde estudou Alvernaz.
Conversou com ex-combatentes em Diu e em Goa, como os senhores João Aranha e Manuel Bernardo, este último natural de São João do Pico, e que já há muito tempo sabia e falava da investigação da autora. Conversou com Pezart Correia, com o neto de Vassalo e Silva, antigo Governador de Goa, com Adriano Moreira e muitas outras individualidades que foram do tempo do Patriarca na Índia.
Concorreu a uma bolsa de estudos da Fundação Oriente, para viagem de estudo de pouca duração. A bolsa foi-lhe atribuída e lá foi até Goa, Damão e Diu e depois até Cochim.
Nestas curtas estadias teve oportunidade de consultar e ouvir os ecos deixados por Alvernaz nas terras do Oriente. Em sacerdotes ainda vivos, Cúria Diocesana, Boletim Eclesiástico de Goa e pessoas cristãs, responsáveis por instituições da Igreja.
Neste apontamento, muito mais não cabe dizer. É melhor o conselho para a aquisição desta biografia. Quem tiver oportunidade de ler esta obra, não deixe de olhar para os Agradecimentos (ou relato de uma investigação) a partir da página 247. Talvez seja mesmo bom começar por aí.
No conjunto, e pelo que me é dado recordar, a biografia está fiel a tudo o que se passou na vida deste homem do Pico. Menos, naturalmente, a sua simplicidade e humildade que o tornava reservado no que mais lhe tocava o coração, no que tinha de mais íntimo. Essa virtude levou-a consigo. É a virtude dos santos, e ele foi um santo.
Transcrevo o que está escrito nas primeiras linhas do livro:
“Era Outono de 1962, o Concílio Ecuménico Vaticano II ia começar. Um homem alto, magro, de barbas brancas desembarcou no aeroporto de Roma vindo do Oriente. Queimado pelo sol, usava a batina clara e o chapéu dos bispos missionários e parecia exausto com o olhar cansado de quem não dormia há muito. Procurou uma cara conhecida entre a multidão que aguardava passageiros, mas não viu ninguém à sua espera e baixou a cabeça ainda mais abatido. Em seguida endireitou-se, firme, espadaúdo, pegou na sua pequena mala de viagem e tomou um transporte público para o centro da cidade”.
Parabéns à Maria Guiomar Lima por esta viagem à índia, à descoberta das obras e feitos que por lá deixou José Vieira Alvernaz, filho da Ribeirinha do Pico.
Sinceramente, obrigado pela gentileza da oferta que me mandou.
 (escrito nas ortografia antiga)



sábado, 3 de setembro de 2011

IMAGENS DE TEMPOS IDOS...

Ocorrem-me imagens de tempos idos, quando o velho “João Janeiro” levava consigo algum neto para as lavras, situadas na freguesia da Piedade. No Caminho Largo, na Canada do Império, na Ponta da Ilha, no Caminho de Cima ou no Cabeço da Altamora.
 Duas boas juntas de bois puxavam o arado, enquanto o neto, atrás da rabiça, no rego aberto, lançava o grão que havia de dar a maçaroca. O sol da Primavera ainda era manso e por vezes a chuva impedia que o trabalho do dia ficasse completo. Há que abrigar, vem aí mais um sargo!...
        Ocorrem-me imagens de tempos idos, de idas e vindas às novenas da Piedade, passando pelas sementeiras de Abril e Maio. Olha, o milho nasceu bem e tem maçarocas gradas! Vai dar uns 30 alqueires!
Sempre na companhia de devotos e devotas da Senhora, os caminhos velhos do Miradouro e os novos da nova estrada para o Norte eram sempre percorridos ao som de cantigas que ecoavam por entre faias, incensos e urzes, à luz do luar e do céu estrelado.
Era Setembro e os frutos da terra já maduravam. Alguma maçaroca se colhia para assar no dia seguinte. O neto tinha esse privilégio. Vai apanhar uma!
Ocorrem-me imagens de tempos idos, quando a novena começava com a preparação da luz necessária, feita na sacristia pelo próprio Padre Soares. Era a luz incandescente a petróleo. Desfeita a escuridão da noite, vinham as condições de se ver alguma coisa: ler as orações e as letras do canto.
As romarias dos tempos idos não eram de muita gente. Imperava o isolamento, poucos tinham rádio, a estrada para o norte da Ilha estava a fazer-se. Trabalhava-se de sol a sol nos campos, nas vinhas e nos matos. Chegava-se tarde a casa, cansado, já com vontade de encostar à cama. Não havia o automóvel. Só a pé ou de burro.
Era o tempo do vapor da carreira de quinze em quinze dias, dos iates, da caça à baleia e dos primeiros atuneiros. Só às tantas da noite se saboreava o aconchego do lar. Já não havia tempo de mais nada….
Nas ofertas da festa, eram os produtos da terra: inhames, batatas, cebolas, figos, uva, melões, melancias, galináceos, bolos, coscorões, doces. A Filarmónica dava os primeiros passos, e tocava num estrado sobre as paredes do adro.
As festas da freguesia da Piedade – ao longo de todo o mês de Setembro, nas suas três invocações – Senhora da Piedade, Senhora da Rocha (hoje Senhora da Boa Viagem) e Senhora das Mercês – são ligações do coração do homem para o homem. Do homem que procura arrimo e amparo para as agruras da vida. Do homem isolado que suplica misericórdia, que suplica uma feliz deslocação para os que vão e vem de longe, do homem que sabe agradecer a felicidade dos desejos conseguidos.
Este monte de imagens ocorridas de tempos idos é uma espécie de síntese da terra que habitámos, como sendo a melhor terra do mundo. Foram a imagem desta Ponta da Ilha que merece hoje o reconhecimento de quantos a habitam e teimam em habitar. Razão tem os que lutam por melhorá-la, usando e abusando da santa teimosia dos que acreditam que tudo é possível.
Hoje, os tempos são outros. Tudo anda a modificar-se. Para melhor, sem dúvida. As mentes, por vezes, sofrem de esquecimentos. E o futuro tem urgência em saber que nada pode ser esquecido nem destruído, mas melhorado, reformado e repensado se for preciso. Para que o desejo e a utopia tenham consistência e o assento seja na primeira fila.
As maçarocas, hoje, são outras. Outros os meios. Outros os processos. São três ainda as Senhoras da Piedade. Ainda podem muito, mas já não são como eram. São menos milagreiras. Compete aos homens fazer o que lhes compete fazer. Ou melhor: continuar a fazer o que ainda está por fazer. “Fia-te na Virgem e não corras, se queres ver como é….”
Os tempos idos têm de dar lugar aos tempos novos que já chegaram e que aí vêm numa pressa desalmada. O que hoje serve, amanhã já não serve. Toda a atenção é pouca, perante tanta correria vertiginosa!
altodoscedros.blogspot.com
escrito na ortografia antiga